14 de janeiro de 2012

Pra começar...

2011 foi um ano, como dizia minha avó Jovina, muito custoso... 
Foi um custo, médio-alto, mas acabou... 
Estou de férias e sinto a euforia da expectativa de um novo ano, mas antes é preciso um balanço para recomeçar sem travas, sem amarras... 
"É preciso saber viver", canta Roberto... 
"Eu preciso saber viver"...  
Mas me diz, quem é que sabe??? 
Estamos todos nesta escola da vida para aprender, né??? 
Então, "vambora" viver!!!
Em 2011 aprendi que o movimento às vezes é mais importante que a razão... Cantava Raul "não pense que a cabeça aguenta se você parar"... 
E foi assim... Não parei!!! 
Nem por um segundo, nem mesmo quando as coisas não faziam sentido... Todo esse movimento, muitas vezes contrário e muito contrariado, ampliou minha visão e hoje posso dizer que, graças a Deus, continuo indecisa sobre as coisas que devo, ou  que quero fazer, mas a certeza do que NÃO DEVO e NÃO QUERO não tem preço, porque são coisas não cabem mais em minha vida e se não cabe, não serve e se não serve, não vale a pena insistir... É  errando que se aprende acertar... E aprendemos realmente quando largamos da teimosia de insistir nos erros!!!
E assim vamos medindo os passos e criando os compassos... 
Apesar de todos os meus conflitos (internos, externos, interpessoais, intrapessoais, impessoais e extremamente pessoais) concluo que SOBREVIVI MELHOR em 2011 e que tudo,  supersticiosamente temo ficar falando para não agourar, parece que está se encaminhando novo ano bom... 
E que seja bom!!! 
Estou a vontade com a centelha de otimismo que está fagulhando em mim (poético, né???)... 
Quero acreditar... Ninguém vive sem crenças!!! 
Então, "tamos, aí"!!!
Bom... Todo esse converse é para encerrar essa etapa difícil, mas necessária!!! 
Estava eu faxinando quando encontrei um caderno de anotações... 
Nele há um texto de encerramento de 2010...
"Eu e meus rascunhos", pensei... 
Mas não só pensei... 
Pensei, parei, li, reli, repensei e decidi que aquele sentimento expresso no texto, que ficou guardado um ano inteiro, será como uma bússola em 2012... 
São eles, os sentimentos, que corporificam minha verdade e por ela, a VERDADE, vale a pena continuar!!!
Certa vez, fui elogiada como excelente professora... 
Muito preocupada, consciente e política, mas que minha maneira de trabalhar não condizia com a realidade dos meus alunos... 
A princípio (e até hoje), não consegui entender como posso ser tão boa, fazendo coisas incoerentes... Então, comecei a refletir sobre as minhas limitações, sobre a proposta atual da Educação e escrevi: 

...Muitas coisas me conflitam no Sócio construtivismo... Brincar, brincar, brincar... A criança brinca o tempo todo, com intensão, sem intensão, tudo vira brinquedo na mão de uma criança e não há como impedi-la de brincar, porque isso é natural... 
Mas será devo deixá-la só e só no mundo das brincadeiras? 
Até a brincadeira tem hora para acabar e dar lugar para outras perspectivas... Qual é o problema de se aprender a fazer algo sem brincar??? 
Por mais dura que seja a realidade, é fato: A vida não é um parque de diversões e nela se diverte muito mais quem sabe lidar com a realidade e suas frustrações!!!
Leis, normas, regras, instruções, combinados fazem parte do cotidiano de qualquer cidadão e por que as crianças, nesta nova perspectiva educacional, tem que estar a parte dos fatos???
O Sócio construtivismo tem como proposta a aprendizagem nas relações e para viver em sociedade, o princípio do sócio, não é preciso seguir leis, normas, regras, combinados??? 
Por que a escola, que tem papel fundamental na formação do cidadão, tem que ser diferente??? Como construir sem bases???
Então "vamos ensinar a pescar"!!!
Na minha concepção, o professor, na escola, está no centro do processo, mas não como detentor absoluto do saber e sim como ORIENTADOR... Pois na  vida sempre haverá alguém para nos colocar nos "trilhos"... Sinto que este é o meu dever com meus alunos... Falar SIM, NÃO e TALVEZ cada um na sua hora, de acordo com a situação e não esse "pode tudo", "deixa tudo" e não me interessa o que pode acontecer longe do "meu umbigo"!!! 
Assim estamos construindo uma sociedade egoísta, individualista e exclusivista...
Na Educação Infantil, a criança está na melhor fase construtiva e como sinto-me na obrigação de cercá-la de meios para que suas construções sejam fortes... 
Fernanda Montenegro não ganharia tantos prêmios como atriz se em sua carreira não tivesse encontrado diretores que a direcionaram nos caminhos da sua arte. 
Estamos construindo a sociedade "do Deus dará", com crianças fazendo o que bem querem, pelo simples fato de serem crianças, e com adultos que fazem o que bem querem, porque um dia foram crianças que não tiveram limites e que não aprenderam a respeitar o outro e o mundo!!!
Cada um tem sua individualidade, cada um tem seu tempo... Mas onde nos levará essa liberdade sem propósitos???

Sou muito preocupada com o meu trabalho, levo muito em consideração as individualidades, mas elas perdem o sentido e a força quando colocam em risco o bem estar do grupo. 
Como qualquer humano em  processo, acerto e erro e assim vou revendo meus conceitos, reformulando minhas formas, mas nunca perdendo o foco da sociedade que desejo lá no futuro... 
Está é a minha ponta de responsabilidade na vida dos meus alunos...
E assim começo meu 2012 e que seja feliz!!!